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Posts by Rodrigo Rey

Audiência pública – Transportes

Estive na câmara em visita ao gabinete do vereador Police Neto e aproveitei para participar da audiência pública, depois de ouvir a todos, tanto sindicato, vereadores, empresários e representante do município, foi aberto ao público para que pudesse opinar.

Eu acredito na possibilidade de melhoria do transporte e para isso um modelo diferente do que temos hoje de contrato, é preciso mudar e melhorar, existem equipamentos subutilizados como terminais e um que citei de São Miguel Paulista, dinheiro novo é algo que foi dito da parte dos empresários, e quem não gosta? Mas para isso é preciso captar através de publicidade e outros meios que não somente e apenas do dinheiro subsidiado da prefeitura.

Não vi nenhum movimento como passe livre entre outros que estiveram em 2013 no Ministério Púlico que eu estive também, falando, participando da audiência pública sobre o aumento das tarifas, ao que parece a muitos grupos e sindicatos que quando não tem bagunça então não é hora de agir, só quando convier será o momento.

Assista ao vídeo e dê sua opinião.

 

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Propostas de campanha

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“Para mudar a câmara e a relação política é preciso dar aos paulistanos uma verdadeira representação .Pela internet meu mandato será compartilhado com os cidadãos. Serei um verdadeiro representante de uma nova política, praticaremos a DEMOCRACIA DIGITAL”

“UMA NOVA POLÍTICA É POSSÍVEL!”

Compromissos e propostas de campanha:

 

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Estado quer controlar mais uma vez o uso do whatsapp

Mais uma vez o sistema judiciário brasileiro se mostra arbitrário e irresponsável. Prejudicando milhões de pessoas que utilizam o WhatsApp como meio de comunicação entre amigos, familiares distantes, ou até mesmo para o trabalho. E não são poucos os que se utilizam da ferramenta para se comunicar com clientes e fornecedores entre outras facilidades em que o aplicativo é utilizado, até mesmo para a própria polícia e serviços médicos.

O sistema de criptografia não é algo que possa ser permissivo, ou funciona ou não, é o mesmo que pedir para o banco deixar todas as contas e senhas com a justiça para verificar se existe alguma transação ilegal, a atitude de bloquear o aplicativo é descabida e desproporcional.

Leitos bloqueados e cirurgias desmarcadas

A falência da Função Social do Governo do Rio de Janeiro.

Em alguns dias, teremos uma das mais expressivas manifestações de ego, desrespeito e prepotência de todos os nossos políticos, de nossos Governos e de nosso Estado, as Olimpíadas Rio 2016.

Todos sabem que temos milhares de outras prioridades para o uso de dinheiro “público”, certo que, usando este termo, é sempre bom lembrar o que dizia Margaret Thatcher: “Não existe essa coisa de dinheiro público, existe apenas o dinheiro dos pagadores de impostos.”.

Mas, todo o dinheiro dos pagadores de impostos, deveria ter uma função básica, essencial, já que já lhe fora tomado pelo Governo, coisas básicas, como saúde, educação e principalmente segurança.

Não temos bons serviços públicos nessa área, porém, o governo consegue piorar, consegue fazer com que o péssimo se torne horrível, com que algo que seria um filme de drama, se torne um péssimo filme de terror.

Em um cenário de caos, com um déficit de mais de 7000 leitos no Rio de Janeiro, os hospitais municipais estatais da cidade têm dado alta e dispensando até mesmo pacientes internados para liberar leitos para as Olimpíadas.

A fim de bloquear 135 leitos na rede municipal, diversas cirurgias foram desmarcadas, incluindo cirurgias de tumores, além de diversos pacientes que já estavam internados esperando cirurgia – muitas vezes há anos – e que receberam alta para serem internados novamente depois das Olimpíadas.

Com isso, o governo ENTERROU sua função social, enterrou sua função, demonstrando que não tem respeito pela população, que mantem o Governo, pagando seus impostos.

Precisamos mudar nosso Governo de forma imediata, trocar esses parasitas, por verdadeiros representantes, por uma representação direita, por novas ideias, por novas visões.

Não podemos mais tolerar esse tipo de ato.

Fonte:

http://www.ilisp.org/noticias/hospitais-estatais-dispensam-pacientes-internados-para-liberar-vagas-para-olimpiadas/

Usuários de transporte público é prioridade para o Haddad?

A gestão Haddad é muito citada no país como uma prefeitura preocupada em modernizar o transporte urbano, em viabilizar diversos meios de locomoção e incorporar inovação. Ao menos no discurso.

Na prática o Uber que representa justamente a inovação nos transportes urbanos no mundo inteiro aparenta ser uma pedra no sapato da prefeitura demonstrando os limites da vontade política em realmente disponibilizar todas as opções de transportes possíveis aos usuários.

O serviço que já foi proibido e agora foi liberado passa a partir de hoje a cobrar mais dez centavos sobre quilômetro percorrido. O motivo disso é a cobrança feita pela prefeitura na qualidade de outorga pelo uso viário urbano. O adicional então vai direto para as mãos do órgão público que cobra o Uber, e aos usuários por tabela, pelo uso das estradas que os cidadãos já pagaram para construir e pagam regularmente para manter.

Mas não é só isso, há um limite de quilômetros percorridos pela empresa que equivale ao que percorrem 5 mil taxis por mês, impedindo a mesma de crescer organicamente e suprir a demanda gerada pelos usuários que escolhem o serviço como seu modal de transporte de preferência.

Quer mais? A Uber terá que investir em seu sistema para informar a prefeitura em tempo real sobre suas corridas. Exigência necessária para comprovar o respeito à cota máxima de corridas arbitrariamente estabelecida. Ou seja, quem sai perdendo? A empresa, o cidadão e o motorista. Aparentemente quando o interesse do usuário entra em conflito com os grupos de pressão que apoiam a prefeitura do Petista, como os sindicatos de táxi por exemplo, o usuário leva a pior.

Pátio do Colégio

Momentos importantes da nossa história são contados através de 17 locais de São Paulo escolhidos pelo amigo e historiador Luis Fróes. Além de curiosidades, e atividades culturais. Embarque com a gente nessa história e compartilhe conosco desses 17 motivos para amar e ter orgulho dessa cidade.

O Pátio do Colégio é o verdadeiro marco zero da cidade de São Paulo, fundado pelos padres jesuítas Manuel da Nóbrega e José de Anchieta.

Ele se encontra na confluência das ruas Boa Vista, Anchieta, Roberto Simonsen, Dr. Bittencourt Rodrigues e General Carneiro.

Hoje se encontra um conjunto arquitetônico, composto pelo Museu Padre Anchieta, Auditório Manoel da Nóbrega, Galeria Tenerife, Praça Ilhas Canárias (Café do Pátio), Capela Beato José de Anchieta (abriga o fêmur de José de Anchieta), a Cripta Tibiriçá e a Biblioteca. Isto foi refeito seguindo o mais próximo possivel os antigos conjuntos do passado, feitos de taipa de pilão e pedra.

No período de 1765 e 1912 foi a sede do Governo da Província e depois do estado, a onde foram feitas várias alterações e se aumentou o conjunto, sendo transformado em um palácio. Este foi demolido em 1953, e no seu lugar se ergueu o atual Pátio do Colégio, inaugurado em 1979.

Na sua frente, se encontra o Monumento “Glória Imortal aos Fundadores de São Paulo”, situado no centro do Pátio do Colégio.

Atividades culturais

Concertos

A casa mantém uma programação de concertos com orquestras e corais.

Vem pro Pateo no Domingo

Todo terceiro domingo do mês às 11h são oferecidas atividades culturais gratuitas. O público adulto pode apreciar concertos e apresentações de grupos folclóricos, já as crianças participam de uma série de oficinas de arte e história, teatro de fantoche, caça ao tesouro etc.

Museu

O museu possui um acervo de arte sacra e diferentes suportes da memória, como iconografia inédita, textos explicativos, mapas e maquete sobre a história do Pátio do Colégio e a cidade de São Paulo.

Biblioteca Padre Antônio Vieira

A biblioteca é especializada em História do Brasil e da Companhia de Jesus. Possui seis mil títulos catalogados e mais sete mil em catalogação.

Voto Legal e Financiamento de campanha

Com a recente reforma eleitoral ficam proibidas as doações empresariais para campanhas. Elas passam a ser restritas a pessoa física, e se limitam a 10% da sua renda bruta do ano anterior, declarada ao Fisco.

Existe ainda a participação do Fundo Partidário, onde 5% dos recursos são divididos igualmente entre todos os partidos e os outros 95% são divididos proporcionalmente, de acordo com a quantidade de votos que cada partido obteve nas últimas eleições, e que em sua maior parte é usado para manutenção de sede, pagamento de funcionários e despesas do próprio partido.

Sobra em média 20% para uso em campanhas, tornando inviável que partidos pequenos concorram em igualdade com os velhos gigantes.

Outro fato importante é que grandes empresários, os mesmos poucos que sempre financiaram as maiores campanhas, ainda poderão fazer suas doações via pessoa física, e por aí vai. Mas, convenhamos, embora esta mudança tenha sido importante, ainda temos muito a caminhar.

Seguindo esta tendência, para sensibilizar o eleitor em relação à importância do seu voto e da sua participação no processo eleitoral, foi desenvolvido o aplicativo “Voto Legal”. Já estou devidamente inscrito, e pretendo ao longo do tempo mantê-los informados sobre esta questão de extrema importância para que reais mudanças sejam promovidas. Acompanhe minha página e seja um eleitor consciente!

Redução de gastos na câmara municipal

Você acha que os vereadores precisam de tantas mordomias? Os valores gastos com cada gabinete não parecem exorbitantes?

Nós acreditamos que dá pra fazer mais com muito menos, e calculamos uma proposta de corte de gastos perfeitamente viável.

Fazendo com que esta economia seja revertida para nossas demandas reais, ao invés de continuarmos sustentando tais mordomias em detrimento das nossas verdadeiras necessidades.

 

Moradores de rua, falta respeito e dignidade!

Estamos em tempo de frio extremo, na capital paulista foram até o momento cinco mortos devido a omissão e pelo frio rigoroso dos últimos dias, a prefeitura por sua vez através da Guarda Metropolitana segundo os moradores de rua, retiram seus pertences, os deixando ao relento, retirando carroças, papelão e tudo mais que possa servir para aquecer e se abrigar.

Não é incomum relatos de que funcionários da prefeitura jogam jatos de água nos moradores de rua entre outros maus tratos, na desculpa de que tem que retirar o pessoal daquele local, a mais recente pérola é a fala do prefeito Fernando Haddad que orientou a GCM – Guarda Civil Metropolitana – a retirar exceto colchão dos moradores para não haver favelização de praças entre outros logradouros da cidade.

Porém, ao que parece o prefeito esqueceu durante toda sua gestão de olhar a população de rua, buscar saber o que está havendo, não houve preocupação na reinserção destas pessoas, mas sim houve tentativa de assistencialismo que como sabemos não dá certo, pessoalmente me preocupo em conhecer e tentar entender o problema para depois sim dizer algo, o que nossos governantes deveriam fazer também, é muito mais positivo do que ficar em seus escritórios.


Moradora de rua reclama de seus pertences apreendidos.


Flagrante de remoção da prefeitura.

Conhecer melhor a população de rua

Em minhas conversas com catadores, pessoas de rua, até mesmo em reportagens, se encontram no meio desta população de rua pessoas qualificadas, como enfermeiras, professores, engenheiros entre tantos outros inclusive pessoas que simples mente saíram de casa por causa de violência doméstica, na rua estão nesta população os mais diversos motivos que deveriam serem acompanhados de perto, por assistência social, descobrir de onde são, o que fazem na rua.

Oportunidades, reinserção na sociedade, perspectivas de futuro

Irão descobrir que parte dos que escolheram a rua foram por falta de opção, ex-presidiários também estão nesta lista, parte da população quer ser reinserido, ter uma perspectiva, mas o que temos é a promessa e desilusão, ajuda na base de troca, um assistencialismo que mantém a situação como está, não integra, cada vez mais excludente e jogados a “invisibilidade” pelos gestores públicos.

O que vemos pelos dados da FIPE, cada vez mais esta população cresce e o que me pergunto é se alguém do poder público viu este gráfico e se espantou buscando tentar resolver.
Grafico-Fipe_pop-Rua

Para uma população crescente onde são jogados para a rua indivíduos que perderam seus empregos e não tiveram como manter sua casa, entre tantos outros motivos, os espaços já insuficientes para abrigar se tornam cada vez mais impossíveis de dar a acolhida necessária, segundo a prefeitura existem locais que tem vagas, porém existe uma distância para o morador de rua que muitas vezes não compensa pela distância, ou há ainda aquele que tem animais de estimação e não irão abrir mão de ficar com eles, a prefeitura apenas diz “tem”, mas não escuta novamente o que esta população quer, o que eles pedem não é algo impossível a um bom gestor, que queira buscar resolver ou amenizar e muito o problema.

Onde eles estão?

Como vemos na tabela abaixo, existe um mapeamento de onde estão estes moradores de rua, é possível sim um trabalho eficaz para melhorar isso, mas a vontade política em resolver e não empurrar com a barriga deve existir.

Mapeamento-pop-de-rua

A média segundo informações da prefeitura é de que os abrigos tenham cerca de 150 vagas para uma população crescente como esta, é muito pouca, porém seria suficiente caso houvesse um trabalho sério de reinserção e acompanhamento.

O que se fazer?

Para tudo sempre há uma solução, abaixo listarei alguns pontos que creio serem importantes para que se diminua um pouco mais a população de rua, sem precisar retirar cobertores, pertences como a prefeitura atualmente está fazendo.

  • Não dê esmolas, dê oportunidade – Muitos moradores de rua tem uma profissão, qualificação, conheça, converse, não tenha medo, eles não mordem! Dar uma oportunidade de emprego, dando um trabalho é muito melhor do que simplesmente esmolas.
  • Poder público – Aproveitar esta mão de obra ociosa e dar também um trabalho a eles, seja a preservação dos logradouros onde eles estejam, qualificando eles para isso, ter equipes de assistentes sociais e psicólogas para atender especialmente esta população desfavorecida, além de espaços melhores para seu abrigo, espaços independentes de grupos que por eles já não atendem como deveriam.
  •  Núcleo ocupacional – Existem muitos menores nas ruas além dos adultos, porque não ter grupos de ocupação para que trabalhem no que queiram, estudem e possam se desenvolver, inclusive ter seu sustento?
  • Migrações clandestinas – Não é novidade que temos prefeituras que levam para outras cidades parte da população de rua de suas cidades, é preciso se investigar e punir este tipo de atitude, para isso a própria população de rua poderia ajudar, fazer parceria com eles em muitos aspectos é essencial, é preciso ouvir e saber suas demandas.
  • Hostels/moradias – Otimização de locais para hospedagem de moradores de rua, a iniciativa privada poderia explorar estes locais que serviriam de passagem, tendo local adequado para pousada e higiene, diferente dos abrigos, serviriam para socialização e dariam privacidade ao morador de rua.

Soluções sempre haverão a partir do momento que tivermos gestores públicos para discutir políticas públicas, e não meros “ganhadores de eleição”.

Tem outra sugestão ou críticas, fique a vontade!

 

Quem são e o que defendem os Bleeding Heart Libertarians?

Algumas pessoas estudam e se identificam com um determinado conceito, outras já fazem, pensam de forma muito próxima a ideias existentes e nem fazem ideia, eu sou do segundo grupo, posso dizer que me descobri Libertário “BHL”, o que alguns chamam como social libertário, uma visão da qual não é possível existir desenvolvimento e aceitar a pobreza, é necessário dar os meios para que o indivíduo consiga crescer, alcançar seu objetivo, o famoso dar a vara para pescar e o ensinar como a usa.

Histórico

O primeiro uso do termo “bleeding heart libertarianism” foi feito por Roderick Long, no texto “Beyond the Boss” (ver texto traduzido aqui).

Na passagem, Long considera que estaríamos vendo o início de um ressurgimento de um libertarianismo igualitário, compassivo, “bleeding-heart”, que tinha caracterizado o movimento libertário em grande parte de sua história, até o século XIX. O século XX teria sido um desvio nessa tradição, predominando um perfil de libertário insuficientemente sensível às perspectivas dos pobres, dos trabalhadores, das mulheres e das minorias, e essa “aberração histórica” teria ocorrido sob influência de uma aliança entre libertários e conservadores para fazer frente ao socialismo estatista e da ética de Ayn Rand.

Logo em seguida, faz uma afirmação que resume a preocupação essencial dobleeding heart libertarianism: “O novo libertarismo, portanto, precisa levar mais a sério as preocupações da esquerda, pois, de várias formas, elas são também suas preocupações. Mas pode ele responder a elas?”

Após isso, outras pessoas usaram o termo ocasionalmente. A consolidação deste termo como representando determinada forma de pensar libertário veio a ocorrer com a criação do blog Bleeding Heart Libertarians, em 03/03/2011, por Matt Zwolinski. Este blog, de caráter acadêmico, reúne vários nomes, dentre eles, além de Zwolinski, o já mencionado Roderick Long, Kevin Vallier, Jason Brennan, Jessica Flanigan, Gary Chartier, Sarah Skwire, Steven Horwitz, entre outros. É um time diverso, formado por filósofos, economistas, cientistas políticos e sociólogos.

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Na postagem inicial, Zwolinski esclarece que o blog foi criado para servir como um fórum de filósofos acadêmicos que são atraídos tanto pelo libertarianismo/liberalismo como por ideias de justiça social ou distributiva (vide conceito aqui). Apesar da diversidade de opiniões, o que os une é o apreço pelos mecanismos de mercado, cooperação social voluntária, direitos de propriedade e liberdade individual, motivada em grande medida pela maneira como essas coisas contribuem para valiosos bens humanos, em especial na maneira em que capacitam aqueles membros mais vulneráveis da sociedade a realizar esses bens.

No Brasil, o Instituto Ordem Livre traduziu alguns dos textos do blog em 2012, mas apenas de maneira esporádica e muito limitada. Percebendo que havia pouco material em português, resolvi criar um blog que defendesse explicitamente o bleeding heart libertarianism e servisse à divulgação e discussão dessa perspectiva, no início deste ano. Agora, também contamos com o recém-criado Mercado Popular e novas traduções são publicadas com alguma frequência pelo Portal Libertarianismo – no que estou colaborando também. Ao que tudo indica, a discussão sobre as ideias BHL em língua portuguesa deve aumentar consideravelmente no próximo ano.

Por que o termo “bleeding heart”?

Literalmente, “bleeding heart” seria traduzido como “coração ferido”, “coração sangrando”. A tradução mais correta seria “sensível” ou “sentimental”. O motivo para isso é fazer uma espécie de ironia: a esquerda norte-americana geralmente foi rotulada como “bleeding heart”, “sentimental”, pelos conservadores, para dizer que a esquerda estadunidense era exageradamente preocupada com os fracos e oprimidos. Por isso a ideia de se denominar como um “bleeding heart libertarian” é falar de um libertarianismo sensível à perspectiva das pessoas mais pobres, das minorias e outros grupos marginalizados.

Por conta desse contexto especificamente norte-americano, eu optei em meu blog por não traduzir o termo, e, aqui, também seguirei a mesma opção.

Qual é o diferencial do bleeding heart libertarianism em relação às outras correntes libertárias e liberais?

O objetivo dessa corrente é quebrar as barreiras linguísticas e políticas que separam a defesa libertária de ampla liberdade individual, incluindo econômica, e a preocupação “de esquerda” com inclusão e justiça social. Contudo, existem duas formas principais de fazer isso, e mesmo uma terceira, que podem ser consideradas como “subdivisões” do bleeding heart libertarianism.

1) Liberalismo clássico BHL, liberalismo BHL, liberalismo neoclássico, “strong bleeding heart libertarianism” ou “onde Hayek encontra Rawls”:

Geralmente, quando você ouvir falar em “bleeding heart libertarians”, sem nenhuma outra especificação, muito possivelmente estão falando desse grupo. O principal motivo é que esse grupo não tinha um rótulo definido, e a maioria deles se identificaria como libertários ou liberais clássicos apenas. Algumas tentativas de rotulá-lo foram feitas: “liberalismo neoclássico”, por Jason Brennane John Tomasi, “Strong BHL”, por Matt Zwolinski e “liberalismo BHL”, por Kevin Vallier, e mesmo “Hayek encontra Rawls”, por Roderick Long. Eu considero de bom uso o termo “liberalismo clássico BHL”.

Esta corrente é formada por liberais clássicos que adotam a conceituação de justiça social predominante na filosofia acadêmica atual. A ideia é desafiar a classificação dicotômica entre o liberalismo clássico, que defende liberdade econômica, e o igualitarismo de esquerda, que defende justiça social, a partir de um compromisso moral mais exigente: liberdade econômica e justiça social.

Segundo Matt Zwolinski, a ideia é que a justiça social tenha um papel justificativo e mesmo de revisão das instituições libertárias. Instituições legais libertárias devem ser avaliadas conforme um padrão de justiça social, e, caso se constate que determinado grupo social é deixado para trás, é preciso revisar essas instituições de modo que elas possam beneficiar também essas pessoas ao longo do tempo.

Entres as principais referências dessa linha de pensamento, podemos citar Matt Zwolinski, Kevin Vallier, Sarah Skwire, Jason Brennan, Jessica Flanigan, Gerald Gaus, David Schmidtz, Will Wilkinson e Charles Griswold. Alguns defendemversões modificadas do rawlsianismo, outros o liberalismo da “razão pública”, e outros têm uma abordagem mais pluralista ou de outra natureza.

Esse tipo de liberalismo também pode ser designado como “liberalismo da Universidade do Arizona”. Isso porque essa Universidade é uma referência de filosofia política nos Estados Unidos, e nela funciona o Center for the Philosophy of Freedom, cujo diretor é o David Schmidtz. Matt Zwolinski, Jason Brennan e Kevin Vallier obtiveram PHd nesta Universidade, Gerald Gaus e David Schmidtz são professores nela.

Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

2) Anarquistas left-libertarians BHL,  libertários de esquerda BHL, “Labor BHLs” ou “Rothbard encontra Chomsky”:

Ainda que o bleeding heart libertarianism como um todo possa ser considerado à esquerda no que diz respeito ao libertarianismo, historicamente já havia um grupo denominado como “left-libertarians”, com visões bem específicas. Alguns deles também se consideram BHL’s. De acordo com Roderick Long, esse grupo adota um liberalismo mais radical, e concepções esquerdistas mais radicais de justiça social, sendo este seu diferencial em relação ao grupo anterior. Seria algo como “Rotbhard encontra Chomsky”, ao invés de “Hayek encontra Rawls”.

A ideia aqui é o chamado “anticapitalismo de livre mercado”, que pode ser um termo bastante enganoso à primeira vista. Essa visão remonta aos inícios do movimento operário europeu no século XIX, onde, segundo Roderick Long , teóricos libertários como Thomas Hodgskin, Herbert Spencer, Lysander Spooner, Benjamim Tucker, Voltairine de Cleyre e Dyer Lum advogaram a substituição, total ou parcial, do sistema de salário e de firmas hierárquicas, em favor de uma economia em que trabalhadores fossem geralmente proprietários independentes ou membros de cooperativas de trabalho, ou seja, um mundo sem chefes. Muitos deles se denominavam de “socialistas”, mesmo defendendo mercados livres e relações sociais voluntárias.

Perceba: eles aceitam plenamente o livre mercado, até de forma bem radical, contudo, assumem que este importará em uma forma de economia substancialmente diferente do atual capitalismo realmente existente, sendo menos dominada por grandes empresas e onde os trabalhadores terão mais opções fora do trabalho assalariado, de modo que o objetivo socialista originário anti-estatista – os trabalhadores serem (ao menos potencialmente) donos dos meios de produção e terem mais controle sobre suas vidas e trabalho – pode ser alcançada em mercados adequadamente libertos de monopólios criados pelo Estado.

Entre as principais referências, estão Roderick Long, Gary Chartier, Charles Johnson e Kevin Carson. Alguns são rothbardianos de esquerda, outros são mutualistas. A principal obra de referência pode ser encontrada aqui.

Veja mais aqui e aqui, aqui, aquiaqui e aqui.

3) Outros (contigent BHLs, weak BHLs,  BHls afins, simpatizantes, BHLs “dissidentes da justiça social”, etc.):

Esse grupo foi denominado por Matt Zwolinski de contigent BHLs, o que significa que se trata de libertários de um pensamento libertário padrão, mas que dão uma ênfase muito grande sobre como o livre mercado e robusta liberdade individual beneficiam os mais pobres e os grupos marginalizados. O “contingente” se deveria ao fato de que a justificação do livre mercado não depende desse fato, ainda que este seja enfatizado.

Eu na verdade acho que esse rótulo de “contingente” não faz jus à robustez de uma posição bleeding heart que pode ser encontrada entre os que cairiam nessa classificação. Mesmo sem adotar o termo “justiça social”, o resultado pode ser bem semelhante, já que, mesmo que a razão para ser libertário não seja a mesma dos liberais clássicos BHL, o “como ser um libertário” é muito semelhante. O próprio Zwolinski parece ter endossado isso, ao refinar esta posição dizendo que é possível ser BHL e não usar a palavra “justiça social”. Eu preferiria o termo “BHLs dissidentes em relação à justiça social”.

Uma defesa robusta do livre mercado enquanto um conjunto de instituições que precisam ser aceitáveis para todas as pessoas em uma sociedade pode ser feita por libertários que adotem um critério de “unanimidade” contratualista ou da economia política constitucional, ou que endossem um princípio de minimização do sofrimento, como fundamento para as instituições legais.

Entre os nomes de referência dessa linha, estão Steven Horwitz, Jacob Levy, Jayme Taylor e Andrew Cohen. Também se pode incluir Brink Lindsey. Veja maisaqui, aqui, e aqui.

 

Postado originalmente em:
http://mercadopopular.org/