Impeachment, novamente.

O assunto circula por várias redes sociais: grupos no Whatsapp, Facebook, postagens é o que não faltam.

Sou da época em que muitos saíram as ruas pedindo a saída do Collor, muitos hoje que querem a saída da Dilma sequer tinham nascido naquela época. Então não têm ideia do que foi a derrubada de um presidente, que não aconteceu na realidade por vontade popular, mas por ter mexido com algumas figuras da época, além do confisco da poupança e planos econômicos que não davam certo.

Na época a então ministra da economia Zélia Cardoso de Mello, prima do então presidente, começou com o assunto da privatização, senão me engano pela primeira vez, entre outras coisas.

A economia não alavancava; as figuras políticas que estavam (e permanecem) no poder estavam contra o Presidente Collor na época por ter perdido o controle sobre ele, queriam sua cabeça. Então, o que se vendia na mídia era apenas um presidente corrupto, que antes era tido como “o santo de Alagoas” que acabaria com os marajás. Lembrando: sua família era a responsável por retransmitir o sinal da Rede Globo para seu estado, a mesma emissora que inundava seus noticiários com tudo que o então presidente estava envolvido.

O amor que existia entre eles era pouco e se acabou. Com a falta de apoio da mídia e a popularidade em baixa, a retirada do presidente era inevitável. O fatal dia de sua queda entrou na história como o primeiro presidente retirado do poder de forma democrática na história do país.

Antes dele tivemos então José Sarney, vice de Tancredo Neves, que falecera antes de sua posse. Sendo ele o vice da chapa, assumira o cargo e empossado, começou sua gestão: vieram tabelas da Sunab, congelamento de preços, inflação crescente, racionamento, “fiscais do Sarney” e muita confusão com salários que se dissolviam diariamente por causa da hiperinflação que vivíamos.

Com a moeda nova, veio o Cruzado, Planos Cruzado, Cruzado Novo, mas a economia não continuava lá aquelas coisas. Entretanto, os políticos na época estavam felizes, já a constituinte que promulgaria a nova Constituição Federal de 88 ia de vento em popa, liderada por Ulysses Guimarães.

Atualmente, do meio do segundo mandato do Lula para cá, começamos a ter novos problemas econômicos, e tanto no cenário político quanto no econômico e social temos problemas, o que me relembra a época do Collor, por isso comecei por ele.
Se tivéssemos uma “lua de mel” na política e um equilíbrio como vínhamos tendo de certa forma na economia, tudo estaria bem e sequer se mencionaria o Impeachment. Só que a coisa começou a mudar, grupos se unem a dizer que tirar é a melhor medida, mas seria mesmo?

Tenho sinceras dúvidas. Primeiramente, temos governantes estaduais como o de São Paulo, por exemplo, onde sequer pensam em Impeachment. O estado tem uma Assembleia Legislativa que está confortável. O que me pergunto é, por qual razão Impeachment só “serve” para a presidente, sendo que todo ocupante de cargo Executivo pode sofrer esta consequência?

Não posso compactuar em retirar uma presidente que parece estar sendo deixada até mesmo pelo seu próprio partido. Talvez para servir de exemplo, não se sabe de quê.
Teríamos com a saída do PT de Dilma Rousseff o PMDB, partido que praticamente sozinho encabeçaria Executivo e Legislativo, praticamente uma hegemonia. Ou seja: teríamos novamente o PMDB administrando o país. E este velho “novo PMDB” já não dá sinais de ser tão aberto. O Presidente da Câmara dos Deputados dizendo que é contra a criação de partidos, seja por qual motivo for; assim como já coloca fora de pauta o assunto polêmico sobre o aborto. Será que ele lembra que ali é a casa do povo?

Eu temo por dias mais sombrios ainda do que poderemos ter com a atual presidente. Seria melhor pressionar os próprios partidários dela para que fosse feita uma mudança de postura. Mas sei que é praticamente impossível, há muita coisa em jogo, muitos interesses às claras e muito mais às escuras.

Não estou defendendo sua permanência ou sua saída, mas vendo o que pode acontecer. Bem não estamos, e o pior é uma possibilidade real.

Mais politização é o que precisamos.

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