Moradores de rua, falta respeito e dignidade!

Estamos em tempo de frio extremo, na capital paulista foram até o momento cinco mortos devido a omissão e pelo frio rigoroso dos últimos dias, a prefeitura por sua vez através da Guarda Metropolitana segundo os moradores de rua, retiram seus pertences, os deixando ao relento, retirando carroças, papelão e tudo mais que possa servir para aquecer e se abrigar.

Não é incomum relatos de que funcionários da prefeitura jogam jatos de água nos moradores de rua entre outros maus tratos, na desculpa de que tem que retirar o pessoal daquele local, a mais recente pérola é a fala do prefeito Fernando Haddad que orientou a GCM – Guarda Civil Metropolitana – a retirar exceto colchão dos moradores para não haver favelização de praças entre outros logradouros da cidade.

Porém, ao que parece o prefeito esqueceu durante toda sua gestão de olhar a população de rua, buscar saber o que está havendo, não houve preocupação na reinserção destas pessoas, mas sim houve tentativa de assistencialismo que como sabemos não dá certo, pessoalmente me preocupo em conhecer e tentar entender o problema para depois sim dizer algo, o que nossos governantes deveriam fazer também, é muito mais positivo do que ficar em seus escritórios.


Moradora de rua reclama de seus pertences apreendidos.


Flagrante de remoção da prefeitura.

Conhecer melhor a população de rua

Em minhas conversas com catadores, pessoas de rua, até mesmo em reportagens, se encontram no meio desta população de rua pessoas qualificadas, como enfermeiras, professores, engenheiros entre tantos outros inclusive pessoas que simples mente saíram de casa por causa de violência doméstica, na rua estão nesta população os mais diversos motivos que deveriam serem acompanhados de perto, por assistência social, descobrir de onde são, o que fazem na rua.

Oportunidades, reinserção na sociedade, perspectivas de futuro

Irão descobrir que parte dos que escolheram a rua foram por falta de opção, ex-presidiários também estão nesta lista, parte da população quer ser reinserido, ter uma perspectiva, mas o que temos é a promessa e desilusão, ajuda na base de troca, um assistencialismo que mantém a situação como está, não integra, cada vez mais excludente e jogados a “invisibilidade” pelos gestores públicos.

O que vemos pelos dados da FIPE, cada vez mais esta população cresce e o que me pergunto é se alguém do poder público viu este gráfico e se espantou buscando tentar resolver.
Grafico-Fipe_pop-Rua

Para uma população crescente onde são jogados para a rua indivíduos que perderam seus empregos e não tiveram como manter sua casa, entre tantos outros motivos, os espaços já insuficientes para abrigar se tornam cada vez mais impossíveis de dar a acolhida necessária, segundo a prefeitura existem locais que tem vagas, porém existe uma distância para o morador de rua que muitas vezes não compensa pela distância, ou há ainda aquele que tem animais de estimação e não irão abrir mão de ficar com eles, a prefeitura apenas diz “tem”, mas não escuta novamente o que esta população quer, o que eles pedem não é algo impossível a um bom gestor, que queira buscar resolver ou amenizar e muito o problema.

Onde eles estão?

Como vemos na tabela abaixo, existe um mapeamento de onde estão estes moradores de rua, é possível sim um trabalho eficaz para melhorar isso, mas a vontade política em resolver e não empurrar com a barriga deve existir.

Mapeamento-pop-de-rua

A média segundo informações da prefeitura é de que os abrigos tenham cerca de 150 vagas para uma população crescente como esta, é muito pouca, porém seria suficiente caso houvesse um trabalho sério de reinserção e acompanhamento.

O que se fazer?

Para tudo sempre há uma solução, abaixo listarei alguns pontos que creio serem importantes para que se diminua um pouco mais a população de rua, sem precisar retirar cobertores, pertences como a prefeitura atualmente está fazendo.

  • Não dê esmolas, dê oportunidade – Muitos moradores de rua tem uma profissão, qualificação, conheça, converse, não tenha medo, eles não mordem! Dar uma oportunidade de emprego, dando um trabalho é muito melhor do que simplesmente esmolas.
  • Poder público – Aproveitar esta mão de obra ociosa e dar também um trabalho a eles, seja a preservação dos logradouros onde eles estejam, qualificando eles para isso, ter equipes de assistentes sociais e psicólogas para atender especialmente esta população desfavorecida, além de espaços melhores para seu abrigo, espaços independentes de grupos que por eles já não atendem como deveriam.
  •  Núcleo ocupacional – Existem muitos menores nas ruas além dos adultos, porque não ter grupos de ocupação para que trabalhem no que queiram, estudem e possam se desenvolver, inclusive ter seu sustento?
  • Migrações clandestinas – Não é novidade que temos prefeituras que levam para outras cidades parte da população de rua de suas cidades, é preciso se investigar e punir este tipo de atitude, para isso a própria população de rua poderia ajudar, fazer parceria com eles em muitos aspectos é essencial, é preciso ouvir e saber suas demandas.
  • Hostels/moradias – Otimização de locais para hospedagem de moradores de rua, a iniciativa privada poderia explorar estes locais que serviriam de passagem, tendo local adequado para pousada e higiene, diferente dos abrigos, serviriam para socialização e dariam privacidade ao morador de rua.

Soluções sempre haverão a partir do momento que tivermos gestores públicos para discutir políticas públicas, e não meros “ganhadores de eleição”.

Tem outra sugestão ou críticas, fique a vontade!

 

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