Transporte – Em 26 de Março de 2013 eu compartilhava…. e de lá até hoje…

Em 26 de Março de 2013 eu compartilhava…. e de lá até hoje 14/06/2013 nada dos governos municipal e estadual terem canais de conversa adequado com o principal interessado, o povo, que vota e não dão ouvidos.

Ao propor aumentar a tributação sobre a gasolina para segurar o aumento ou abaixar a tarifa de ônibus, Haddad aparenta interesse em uma inversão de prioridades na mobilidade urbana, privilegiando o transporte coletivo em detrimento do carro individual.No entanto, o que significa essa inversão, da forma como ela está sendo proposta? Como afirmamos antes, a lógica do transporte como mercadoria se mantém. O transporte coletivo ainda não é entendido como um direito e a ampliação do acesso ao ônibus será feita às custas da elitização do uso do carro, e não distribuindo os custos do serviço à toda sociedade.Nesse sentido, seguimos no debate e compartilhamos aqui artigo publicado no site TarifaZero.Org, que levanta questionamentos importantes à essa proposta da Prefeitura. E reafirmamos que um novo modelo de transporte, público e sem tarifa, só será conquistado com a luta e organização da população.

 

Leia inteiro em: http://tarifazero.org/2013/03/24/combustivel-para-a-luta-de-classes/

 

“(…)O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, cogita aumentar o preço da gasolina para subsidiar o sistema de transporte e impedir um aumento nas tarifas de ônibus no curto prazo. Coloco desde já este ‘curto prazo’ porque seria impensável que, devido à lógica do sistema, a tarifa nunca mais viesse a ser majorada. Só por aí já valeria uma pergunta: a gasolina seria constantemente reajustada? E outra: se é possível pensar na tarifa politicamente agora (não aumenta-la não tem uma base técnica, mas política) por que não expandir o pensamento?

 

Bom. Pode soar estranho o que vou dizer, mas não concordo com esta medida. Obviamente não busco uma conciliação com a chamada sociedade do automóvel. Defenderei sempre um custeio público para o sistema de transportes e, consequentemente, estarei sempre contra aumentos nas tarifas. É que neste caso a solução seria uma não-solução, seria um ataque à classe trabalhadora. Se a melhor forma de impedir a deterioração do transporte coletivo é taxar os mais pobres, deveríamos parar e pensar noutra coisa.

 

A maior parte do custo do transporte é pago pelas tarifas, ou seja, pelos usuários, e este subsídio via gasolina apenas repetiria este modelo, em que os mais pobres arcam com as contas de toda a sociedade. A gasolina tem um preço único, igual, e afeta as classes de maneira desigual. Quem tem mais sofre um impacto reduzido no seu orçamento, ao passo que quem tem pouco gasta proporcionalmente mais. É injusto socialmente (não nos esqueçamos de toda a política governamental de incentivo ao uso do carro pelas classes populares, as facilidades para obter financiamento, a redução dos impostos para as montadoras etc.). Em última análise, teríamos uma medida paliativa para o transporte e ruas mais livres para os mais ricos se deslocarem em seus carros particulares. Algo semelhante à ideia dos pedágios urbanos, que não veriam o orçamento de cada um e cada uma antes da cobrança, eliminando a quantidade de carros nas ruas por um recorte de classe. Lógica abominável, no meu entender.

 

Acredito que a tarefa de quem se importa não só com a redução dos congestionamentos e medidas midiáticas/eleitoreiras, mas prioritariamente com a redução da desigualdade e a justeza da distribuição de riquezas, deveria ser a luta pela divisão progressiva dos custos: quem tem mais paga mais, quem tem menos paga menos, quem não tem nada, não paga nada. Este é o X da questão, não só sobre transporte coletivo, mas sobre a sociedade no geral. Eu não gostaria de ver apenas os pobres pagando por tudo. Quero que o pobre tenha todos os direitos também.”

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